domingo, 3 de julho de 2011

Biomas brasileiros: Parte 3 - Mata Atlântica

Objetivos
Identificar e compreender a configuração natural da Mata Atlântica e ecossistemas associados.
 Relacionar coberturas vegetais, fauna, clima, relevo, solos e recursos hídricos no bioma.
Correlacionar distribuição e biodiversidade do bioma.
 Identificar e avaliar processos de expansão agrícola, industrialização, urbanização e construção de sistemas viários e seus efeitos no bioma.
Reconhecer e analisar unidades e políticas de conservação e usos sustentáveis do bioma.
 Desenvolver pesquisa, coleta, seleção e organização de dados, textos e imagens.
 Ler e interpretar mapas em diferentes escalas.
Conteúdos
Bioma Mata Atlântica: caracterização, configuração natural, usos, riscos e ameaças; Biodiversidade; Diversidade cultural; Produção econômica e produção do espaço; Fragmentos florestais; Unidades de conservação.
Anos
6º ao 9º

Tempo estimado
Cinco aulas

Introdução

Esta sequência didática é a terceira de uma série de oito propostas sobre os biomas brasileiros para Ensino Fundamental II. A primeira delas teve como objetivo fazer com os alunos um
mapeamento dos biomas brasileiros, acompanhado de discussões sobre as classificações das unidades naturais presentes no território brasileiro. A segunda trouxe o detalhamento do bioma Amazônia. (Confira as demais sequências da série ao lado).

Nesta terceira sequência, o objetivo é discutir a Mata Atlântica, destacando a configuração natural do bioma, a evolução histórica de usos e formas e ocupação e o desafio atual da preservação dessa rica formação florestal. Convide a turma para essa empreitada.
Texto de apoio ao professor - Matas Atlânticas

Imensa fachada florestal que surpreendeu os portugueses em sua chegada, as Matas Atlânticas guardavam segredos que aos poucos foram sendo revelados. Recobrindo originalmente de 12% a 15% do que veio a ser o território brasileiro, elas se distribuíam pela faixa litorânea do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, avançando para áreas interiores e alcançando frações dos atuais Paraguai e Argentina, em uma área de aproximadamente 1,1 milhão de quilômetros quadrados.

Mas por que "Matas Atlânticas", no plural? Muito heterogênea e diversificada, com distribuição azonal – uma variação climática latitudinal - e em vários níveis de altitude, trata-se de uma das formações de maior biodiversidade do planeta. O conjunto abriga matas de encosta e de altitude e formações costeiras associadas a diferentes ecossistemas – manguezais, restingas, vegetação de ilhas litorâneas -, além de enclaves de cerrados, campos e campos de altitude. Tomando como referência a proposição dos geógrafos Sueli A. Furlan, da Universidade de São Paulo, e João C. Nucci, da Universidade Federal do Paraná, a denominação inclui todas as formações florestais que compõem esse domínio natural e os ecossistemas associados.

Do extraordinário conjunto natural, formado sob a influência dos ventos úmidos oceânicos, resta hoje somente 7% da cobertura original. Na região vive cerca de 62% da população brasileira, o equivalente a 110 milhões de pessoas, e está a maior concentração de atividades do país – cidades, estradas, portos, agropecuária, extrativismo etc. A área é palco de desmatamento ilegal e intensa especulação imobiliária, ao mesmo tempo em que abriga populações que lutam para manter seus modos de vida tradicionais, como caiçaras, indígenas e descendentes de quilombolas.

Entre os grandes desafios das Matas Atlânticas nos dias de hoje destacam-se a manutenção dessas populações remanescentes, a instituição de usos com a “floresta em pé” e a compreensão da dinâmica dos diversos fragmentos florestais.
 
 Desenvolvimento

1ª e 2ª aulas
Proponha à turma a leitura e a interpretação dos mapas 1 e 2, apresentados abaixo, e a comparação entre eles. As figuras mostram, respectivamente, a distribuição original das Matas Atlânticas e as áreas remanescentes.

Explique aos alunos que a classificação utilizada indica formações florestais ombrófilas – em que não falta umidade durante o ano – e estacionais – com maior umidade em parte do ano. São descritas, também, vegetações densas ou abertas – árvores de grande e médio porte com graus variados de densidade nos diversos estratos. E aparecem, ainda, as divisões da região em áreas deciduais – em que 50% das árvores que perdem as folhas em parte do ano – ou semideciduais – com perda periódica de folhas em 20% a 50% das árvores.

Mapa 1 – Matas Atlânticas: cobertura vegetal original. Fonte: INPE. SOS Mata Atlântica, 2006.
Mapa 1 – Matas Atlânticas: cobertura vegetal original. Fonte: INPE. SOS Mata Atlântica, 2006.

Mapa 2 – Matas Atlânticas: remanescentes florestais (2005). Fonte: INPE. SOS Mata Atlântica, 2006.
Mapa 2 – Matas Atlânticas: remanescentes florestais (2005). Fonte: INPE. SOS Mata Atlântica, 2006.

 Ao observar os mapas, os estudantes vão notar que os principais remanescentes das Matas Atlânticas estão situados em faixas no sul da Bahia e em uma larga faixa ao longo do litoral, do Rio de Janeiro a Santa Catarina, com destaque para as formações no Vale do Ribeira (SP) e norte do Paraná. Comente que a manutenção ocorre, paradoxalmente, próxima à maior metrópole brasileira.

Peça que os alunos registrem as observações e solicite que façam em casa uma pesquisa sobre as características de clima, flora e fauna das Matas Atlânticas (para saber mais, leia a reportagem
Era uma vez a mata Atlântica, disponível no Planeta Sustentável).

3ª aula
Confira os dados levantados pelos alunos em casa, complemente e discuta o tema em sala de aula. É importante que os elementos naturais e as interações entre as formas de vida e o meio físico estejam corretamente assinalados. Para isso, utilize como referência o quadro a seguir.
Matas Atlânticas

Florestas costeiras – envolve mais de um tipo de mata em montanhas, serras e nas planícies litorâneas. Nas praias, encontra-se a vegetação adaptada à salinidade, insolação, solo arenoso e déficit hídrico. São plantas pioneiras e rasteiras. Fora do alcance do mar, estão matas de jundu, com espécies arbóreas, bromélias e o gravatá. Após o jundu, surge a mata de restinga, em solos relativamente pobres e arenosos, com árvores e substrato arbustivo; aparecem palmeiras, lianas, bromélias e samambaiaçus. Associados a estas formações estão os manguezais, sob influência da água do mar e da água doce dos rios, e costões rochosos.

Matas de encosta – condicionadas ao clima e à alta pluviosidade durante todo o ano, marcada pelos ventos úmidos de sudeste. No Sul e Sudeste, recobrem as serras do Mar, Mantiqueira, Paranapiacaba e Geral. A umidade constante e as altas temperaturas garantem florestas densas com árvores de 20 a 30 metros, em dois ou mais estratos. Podem ser encontradas até espécies mais altas, de até 40 metros, como o jequitibá-branco. Há muitas epífitas e trepadeiras sobre as árvores. O sub-bosque é escuro, úmido e com pouca ventilação. Em face de declividades acentuadas em montanhas, os solos são rasos e sujeitos a deslizamentos. Aí estão o pau-brasil, a paineira e as palmeiras. Em áreas alteradas surgem as embaúbas.

Matas de altitude e interiores – em topos de morros e montanhas há pequenas alterações na vegetação. Nessas matas surgem as florestas de neblina, face às temperaturas mais baixas – como é o caso de Paranapiacaba, em São Paulo. As condições de insolação, temperatura e umidade variam de acordo com a posição do conjunto natural e exposição dele ao sol. O porte das árvores é menor, com caules mais tortuosos e ocupados por musgos, liquens e orquídeas. Sob ventos mais frios e secos, surgem os campos de altitude ou rupestres, com diversidade de espécies endêmicas (herbáceas e arbustos pequenos). As florestas interiores, em grande parte, cederam lugar aos cultivos agrícolas e urbanização. Restam poucos remanescentes, situados a oeste das serras e montanhas costeiras. Sob clima mais marcadamente tropical e variadas condições de solo – terra roxa, mais fértil, e arenosos, muito pobres – surgem as perobas-rosas, imbuias e jatobás, além de palmeiras como o jerivá, e de matas de pinhais, situadas mais ao sul do país.

Fauna – a diversidade de fauna está associada à diversidade de ambientes. Na presença de água, encontram-se os jacarés, sapos, cágados e algumas cobras e aves. Rãs e saracuras preferem os brejos, e outros vivem tanto na água como na terra, como antas, ratões do banhado, capivaras e ariranhas. No chão das florestas podem ser encontrados lagartos, cobras, jabutis, quatis e catetos. As Matas Atlânticas possuem a mais rica composição de mamíferos de toda a América do Sul e talvez do planeta: gambás, cuícas, morcego, cachorro do mato e felinos como a onça-parda e a jaguatirica e primatas de variados gêneros (mico-leão preto e dourado, bugio, muriqui etc). Há, também, grande variedade de répteis e aves. Muitas dessas espécies correm forte risco, causados principalmente pela destruição de seu habitat natural. O mesmo ocorre com os peixes, colocados em perigo devido ao assoreamento, represamento ou contaminação de rios.

Fonte: FURLAN, Sueli A.; NUCCI, João C. A conservação das florestas tropicais. São Paulo: Atual, 1999, p. 32-38
(com adaptações).
 
Faça alguns destaques para a turma. Pergunte a eles por que é importante preservar esses conjuntos naturais? Ouça as repostas e comente que, além da manutenção da biodiversidade e das formas de vida ali existentes, é preciso lembrar que as florestas tropicais – como é o caso das Matas Atlânticas –, oferecem os chamados serviços ambientais, elementos úteis à vida dos seres humanos: armazenamento de carbono, regulação climática, controle de deslizamentos, inundações, erosão e assoreamento e uma formidável produção de água.

Apesar dessas qualidades, mostre à classe que os usos e a ocupação predatórios das Matas Atlânticas vêm de longa data. O historiador norteamericano Warren Dean (1932-1994), por exemplo, conta que, no Rio de Janeiro do século 19, em torno de quinhentos carroções de madeiras nobres eram descarregados na cidade para serem usados como lenha ou em edificações.

Peça que os alunos relembrem outros exemplos de destruição das Matas Atlânticas. Discuta as respostas da moçada e dê o exemplo de Cubatão, em São Paulo. Atingida pelos gases tóxicos do pólo petroquímico, a região já foi considerada o lugar mais poluído do planeta. Explique à classe que, atualmente, podem ser encontradas experiências positivas de preservação ambiental próximas a Cubatão. Um exemplo é a vila de Paranapiacaba, na Serra do Mar. A área é o berço do rio Grande – principal formador da represa Billings, que abastece toda a região da Grande São Paulo – e tornou-se pólo de preservação ambiental em 2001, passando a ser mantida pelo Parque Municipal Nascentes de Paranapiacaba. (Para saber mais, veja a reportagem
O que tem sido feito pela floresta, disponível no Planeta Sustentável). Opções de cultivos agroflorestais, manejo de florestas e serviços de turismo e Educação Ambiental também estão sendo testadas em diversos pontos da região.

Peça que os estudantes pesquisem outras unidades de conservação, de preservação integral e de uso sustentável no país. (Veja algumas fontes de pesquisa ao final deste plano).

4ª aula
Peça aos alunos que organizem os dados sobre as Matas Atlânticas obtidos nas aulas anteriores e pesquisados em casa. Divida a turma em pequenos grupos e proponha que elaborem painéis em cartolina, papel kraft ou, se possível, em meio eletrônico, com textos e imagens (mapas, fotos, ilustrações) tratando os seguintes temas:

- Configuração natural do bioma
- Evolução histórica de usos e formas e ocupação
- Desafios da preservação
- Propostas para o uso sustentável das Matas Atlânticas

Peça que os grupos preparem um pequeno roteiro escrito para apresentar suas ideias à classe na aula seguinte.

5ª aula
Reserve a última aula para a apresentação dos grupos. Terminadas as exposições, discuta os resultados finais e elabore com a turma um quadro-síntese sobre o tema. Considere a possibilidade de expor os resultados na escola.

Avaliação
De acordo com os objetivos e conteúdos previstos, avalie o domínio de noções, conceitos e processos que são chave para o entendimento da realidade estudada. Leve em conta a participação de cada um nos momentos individuais e coletivos e examine a correção de dados, mapas e textos e outros elementos no painel. Não se esqueça de examinar a organização e clareza dos textos e da exposição oral e verificar as contribuições de cada estudante nas tarefas individuais e coletivas. Reserve um tempo para que a turma avalie a experiência e examine novos desdobramentos para o trabalho.

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